Perspectiva CEDEPE

22 de Março de 2018

Médico Empreendedor

João Paulo Gomes

Existe, em clínicas, consultórios e hospitais, um grande desafio: o da gestão. Em meio à crise econômica, diante da reinvenção das modalidades de trabalho e com a chegada de grandes redes de saúde a Pernambuco, os profissionais são convocados a assumir o controle das operações.

E esse debate não se restringe aos médicos – pertence a todos que integram a área de saúde. Fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas e farmacêuticos têm agora que conciliar assistência, gestão e empreendedorismo.

De um lado, a pressão dos órgãos de controle e dos planos de saúde, este último que por vezes navega no amadorismo do segmento para ampliar o índice de glosa. Do outro, pacientes e acompanhantes mais exigentes, que buscam um processo de atendimento que não se limite apenas à anamnese. O valor percebido pelo cliente agora está na experiência completa e não somente no diagnóstico, redução da dor ou cura.

As universidades andam bem distantes desse novo cenário. A maioria forma exclusivamente de maneira técnica e científica, relegando os desafios da gestão para o momento em que o profissional estiver inserido no mercado.

Outro fenômeno que tem canalizado para o empreendedorismo é a concorrência entre consultórios e clínicas artesanais ou familiares em oposição às marcas nacionais, que chegam com alto índice de padronização de processos, marketing agressivo, redução de custos e projeto de expansão bem definido.

Até dentro do serviço público, médicos e outros profissionais de saúde são cobrados por falhas na liderança de equipes, controle inadequado de gastos ou constantes queixas no atendimento aos pacientes desde a recepção até o pós-atendimento.

Até pouco tempo, o médico detinha o monopólio total da informação e isso, atrelado aos longos anos de formação e pesquisa, mantinha a categoria em uma espécie de pedestal. Essa imagem tem sido desconstruída de maneira rápida. A tecnologia é a principal responsável, dando acesso ao conhecimento – nem sempre da forma adequada – ao paciente, que passa a ter voz ativa no seu tratamento.

Seja para abrir a própria clínica, liderar uma equipe, ou comandar processos de auditoria ou acreditação, é condição sine qua non do profissional de saúde moderno compreender ferramentas e conceitos básicos de gestão, não apenas para se adaptar às mudanças e transformações, mas para ser protagonista diante desse novo cenário.

*João Paulo Gomes é professor do MBA de Gestão de Negócios da Saúde e Diretor do CEDEPE Business School.