Perspectiva CEDEPE

9 de Março de 2018

Planejamento, gestão e Rock n’ Roll

João Paulo Gomes

Quando o som das guitarras se cala e a emoção do festival esfria é que surge o debate sobre planejamento e operação de um megaevento como o Rock in Rio.

O maior acontecimento musical do mundo, colossal nos números (700 mil pessoas, 10 mil toneladas de equipamentos, 650 mil litros de cerveja, 15 mil funcionários), é também o principal case privado de gestão de público no Brasil.

Manter uma multidão durante cerca de 14 horas com atrações e entretenimento, alimentação, bebidas, banheiros, descanso e consumo de produtos oficiais não é tarefa fácil. A organização do evento dispôs dos maiores ativos para entregar isso aos fãs: tempo (2 anos de planejamento), recursos financeiros (a maior comercialização de cotas de patrocínio e venda de ingressos), território (um parque olímpico com 300 mil m2 já construído) e recursos humanos (gestores de festivais e grandes intervenções de público com larga experiência internacional).

No dia-a-dia nem tudo foram flores. Há críticas desde o line up, com segmentos de público diferentes num mesmo dia, provocando horas de espera na grama antes das apresentações preferidas, até o insuficiente serviço de fornecimento de cerveja, que pelas distâncias e disponibilidade poderia ser tarefa para até um hora. Com filas extensas, o acesso ao banheiro feminino segue como ponto negativo em dias de pico.

A logística de chegada à Barra da Tijuca e a segurança (agravada pelo conflito na Rocinha) eram pontos críticos que transcorreram de forma aceitável. Aliás, a convivência do carioca com a violência e sua normalidade chegam a impressionar.

Passamos há pouco tempo por suntuosas operações públicas de eventos esportivos privados ou híbridos como Copa do Mundo e Olimpíadas, além das tradicionais manifestações culturais e religiosas que levam milhões às ruas todos os anos e exigem esforços inigualáveis como os carnavais de Salvador, do Rio de Janeiro e do Recife (incluindo o Galo da Madrugada) e o Círio de Nazaré, em Belém.

Há cultura de gestão e acúmulo técnico suficiente em nosso País para mais operações de grande porte. Os números em torno desses eventos movimentam não só os produtores, mas toda a cadeira produtiva do turismo e beneficia atores locais. Que venha o próximo.

João Paulo Gomes é especialista em megaeventos e diretor do CEDEPE Business School.