Perspectiva CEDEPE

26 de março de 2020

EXECUTIVOS DE SHOPPINGS E VAREJO DISCUTEM SOBRE OS PRINCIPAIS DESAFIOS DO SETOR EM MEIO À CRISE DO CORONAVÍRUS

RODRIGO BRAGA

Na noite do dia 24/03, a XP Investimentos promoveu um webinar gratuito com grandes executivos do mercado brasileiro para debater sobre o atual cenário provocado pela quarentena da população por conta da pandemia do Covid-19. Os anfitriões Rafael Furlanetti, Fernando Ferreira e Marco Ribeiro, da XP, receberam Alexandre Birman (CEO da Arezzo), Carlos Jereissati Filho (CEO do Grupo Iguatemi), Rafael Sales (CEO da Aliansce Sonae) e Sebastião Bomfim Filho (Presidente da Centauro) para essa conversa sobre o impacto nos negócios.

Com duração de aproximadamente 1h30, esses grandes executivos do setor de varejo e shoppings discutiram a respeito da situação atual em que o comércio se encontra, apontaram como suas empresas estão atuando nesse momento de crise e sugeriram soluções de como o Governo Federal poderia atuar para garantir os salários dos funcionários dando alternativas para os empreendedores.

O posicionamento de todos foi unânime: primeiro é preciso cuidar das pessoas. Garantir a saúde de cada um em primeiro lugar. Porém, como levantado por Sebastião Bonfim da Centauro: “a folha de pagamento é nesse momento a maior aflição dos empresários”. Durante a conversa, Sebastião ainda completa que o Governo precisa dar liquidez na economia real para o empreendedor poder pagar o salário dos funcionários. Uma alternativa para isso seria liberar empréstimos que poderiam ser pagos posteriormente com subsídio dos impostos. Ele ainda completa que para manter as pessoas em casa, é preciso que elas tenham a renda necessária para sobreviver estando no confinamento.

Alexandre Birman da Arezzo defendeu que as empresas ajam rápido e com paixão, focando nas pessoas. Ele completa que é preciso que o empresário respeite a crise, porém é preciso focar no negócio também, respeitando a demanda e não criando mais oferta. Alexandre defende que esse é o momento de adaptação.

Já no setor de shoppings, tanto Carlos Jereissati Filho quanto Rafael Sales falaram sobre a postura de seus empreendimentos em relação aos custos de ocupação de suas lojas. Nesse momento de crise em que os lojistas estão mais preocupados com a folha de pagamento dos seus funcionários, os shoppings dos grupos Iguatemi e Aliansce Sonae se sensibilizaram muito com a situação e se propuseram a suspender os aluguéis e subsidiar os condomínios. Essas atitudes darão um grande alívio para os empresários do setor.

Perguntados como estavam agindo nesse momento de crise e sobre as suas posturas e responsabilidade social como grandes empresas, cada um relatou quais são as medidas que estão tomando. Todos foram unânimes: o foco total da indústria de shoppings nesse momento é garantir que o maior número de lojistas consiga passar pela crise e, consequentemente, garantir os empregos de todos os seus funcionários. Outras ações são informadas a seguir:


Arezzo

• Doação de 3.000 mil tênis brancos para médicas e enfermeiras que estão na linha de frente ao combate ao vírus

• Confecção de máscaras em largas escalas para doação (em fase final de teste)

• Redução de salário de executivos em até 30% para chegar à 0% de redução dos salários dos funcionários

• Suspensão de royalties para a rede franqueada

• Dedicação de muito esforço onde pode-se fazer muito efeito na erradicação do vírus (ex: Campo Bom-RS, cidade onde a marca tem muita relevância)


Centauro

• Disponibilização de plataforma digital e logística para todas as empresas que vendam produtos de primeira necessidade e são essenciais para o momento


Grupo Iguatemi:

• Disponibilização de espaços para: vacinação e testes rápidos, pontos de doação de alimentos e produtos de higiene

• Campanhas para compras de respiradores e campanhas para arrecadação para favelas, atuando junto aos governos


Aliansce Sonae

• Plano de contingência desde os primeiros dias evitando contaminação comunitária

• Nenhum tipo de dispensa de funcionários nem terceirizados: 3.500 trabalhadores ao todo

• Doação de ventiladores e leitos na Bahia, Belém e Rio de Janeiro

• Compromisso em fazer doação para comunidades

• Campanhas de vacinação (o grupo foi o pioneiro no estilo drive thru)


A expectativa dos empresários é que essa crise seja contida até o final de abril para que os consumidores voltem às compras, a economia volte a girar e o comércio esteja preparado para o Dia das Mães, uma das épocas mais lucrativas para o mercado.

A equipe reczero participou atentamente desse webinar promovido pela XP Investimentos e tem acompanhando pelo Brasil os desdobramentos do setor nesse momento de pandemia do coronavírus no país. Reforçamos aqui que manteremos o espaço aberto para o diálogo e discussões de alternativas para esse cenário temporário que estamos vivendo.